Ser PCD é viver apesar das barreiras impostas pela vida, afirma servidora

No debate sobre inclusão e acessibilidade, a servidora Sônia Diniz, da 64° ZE, de Guanambi, fala sobre a parceria dos colegas e a importância de que o tema seja abordado de forma permanente

Serie inclusão acessibilidade

Tenho visão monocular e nunca percebi nada anormal nas minhas relações dentro do TRE-BA. Sempre fui tratada com muito respeito e compreensão pelos colegas. Estou há 17 anos no serviço público e noto, ao contrário, um esforço dos colegas em amenizar as dificuldades trazidas pela deficiência. 

Visão monocular é cegueira em um dos olhos, o que causa grandes restrições, pois diminui a capacidade de noção de espaço, cansaço visual excessivo na leitura, dores de cabeça etc. Trabalho em cartório e tenho muita dificuldade na leitura de resoluções, e-mails e nos documentos que são enviados todos os dias para as zonas eleitorais. 

Quando o TRE-BA instalou o Processo Judicial Eletrônico, também tive dificuldade, por causa da leitura em tela. Mas logo o Tribunal enviou uma segunda tela e isso melhorou bastante. Minha maior alegria no cartório é o atendimento ao público, quando posso ter um contato maior com os usuários do serviço. Na pandemia, fiquei muito ansiosa mas, com o tempo, consegui me adaptar. 

Inclusão permanente 

Minha condição é congênita, porém meus pais só descobriram quando eu tinha 7 anos, em um teste da escola. Antes disso, eu sofri bastante, pois tinha dificuldade para ver o que era escrito no quadro pela professora e demorava para copiar e aprender. 

Hoje eu costumo dizer que a minha atuação pela pauta da acessibilidade e da inclusão é bem restrita. Não participo de quase nada. Uma vez, quando ainda estava na escola, participei de um movimento para mostrar como era a vida das crianças com deficiência e foi uma experiência ruim, aí não participei mais. 

Senti que algumas pessoas começaram a ter pena e outras crianças, a colocar apelido. Eu era criança e isso não é uma coisa boa para lembrar. 

Minha vida seguiu, eu cursei duas faculdades. Primeiro, fiz administração de empresas, aos 18 anos, e foi bem tranquilo. Estudei na cidade de Coromandel, em Minas Gerais. Depois, fiz Direito, de volta à minha cidade, Guanambi. Esse segundo curso foi mais intenso, porque exigia muita leitura e eu já estava com 38 anos. 

A vida pessoal também fluiu sem maiores questões. Casei e tive um filho, que hoje é um rapaz de 18 anos e que já está na faculdade. Ele lida bem com a minha deficiência, ou melhor, todos os que estão perto sempre me ajudam muito. Tanto que hoje, pensando sobre o assunto de uma forma mais ampla, não vejo muita diferença entre ser “normal” e ser deficiente. 

Penso que ações de inclusão devem acontecer o tempo todo e são fundamentais para o crescimento, o respeito e a responsabilidade da sociedade com PCDs. Quando falamos sobre o assunto e, a exemplo do que está acontecendo agora, quando escutamos pessoas com deficiência, vemos que ninguém é um peso e sim, uma força a mais. 

Ser uma pessoa com deficiência é ser alguém com uma forma de viver, mesmo com as barreiras impostas pela vida. 

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